Primeiro lugar no IME: ‘cheguei a estudar 17 horas por dia’

RIO – Fidel Esteves está rouco de tando gritar. Não é para menos: na última quarta-feira, o estudante, de 18 anos, soube que era o primeiro colocado no disputado vestibular do Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. E a falta de voz é fruto de uma comemoração à altura de algo tão difícil de ser conquistado.

– Nos reunimos para conferir o resultado e, a cada aprovação de um colega, gritávamos muito – justifica. – Depois fomos para um bar, e nem lembro a hora que voltei para casa.

Por trás dessa festa, há muito esforço. Nascido em Salvador, Fidel se mudou para o Rio em busca de escolas melhores para cursar o ensino médio. Ele concluiu esta etapa na Escola Sesc, na Barra da Tijuca, no ano passado, mas não obteve sucesso em sua primeira tentativa para o IME e para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, onde realmente quer estudar. Então, matriculou-se no Colégio pH no começo deste ano e deu início a uma intensa rotina de estudos.

– Até o meio do ano cheguei a estudar 17 horas por dia, contando com as aulas no curso. Tomava café e pílulas de cafeína para ficar acordado. Mas um dia passei mal e fiquei quatro dias com dor de cabeça. Vi que era hora de pegar mais leve. Passei a estudar dez horas por dia e parei de tomar as pílulas – conta.

Além das horas a fio, Fidel definiu metas de estudo. Seu objetivo maior era evitar, ao máximo, o acúmulo de matérias pendentes.

– Tentava estar sempre em dia com o que estava sendo ensinado naquele momento. Quando o professor dava uma matéria nova, fazia o máximo de exercícios relacionados para ficar com tudo em dia.

Fidel alcançou a primeira colocação no IME com a média 7,990. Em Matemática, ficou com 7,6, em Física, 8,7, e em Química, 9,5. E a maratona de provas não acabou. O maior objetivo dele é uma vaga no ITA, cujas provas serão aplicadas entre 15 e 18 de dezembro. Até lá, ele segue estudando para o concurso, considerado um dos mais difíceis do país.

Ainda que não tenha certeza de qual instituição será o seu destino final, o rapaz já adianta que o descanso não será pleno após a bateria de testes.

– Vou continuar estudando umas seis horas por dia para não ter dificuldade de acompanhar o conteúdo dado pelos professores no início das aulas – afirma. – Vou descansar, é claro, mas não posso deixar o cérebro enferrujar.

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